A reunião foi realizada na cidade de Genebra, Suíça, no período de 7 a 9 de novembro de 2005, organizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e pela FAO, conforme programa em anexo. Participaram representantes de países, organizações governamentais e organizações não governamentais. Do Brasil, participaram o Dr. Jarbas Barbosa da Silva, Secretario de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Dra. Mariângela Rebuá, Chefe da Divisão de Temas Sociais do Ministério de Relações Exteriores, Dra. Eliane Nicolini, Assessora do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Dr. Luis Cláudio Coelho, representando o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Ariel Mendes, Professor da Unesp, Vice-Presidente Técnico Científico da UBA e Coordenador do Comitê Técnico Científico da Associação Latino Americana de Avicultura.
Na abertura, o Dr. Lee Jong-wook, Diretor Geral da OMS deu as boas vindas a todos e enfatizou que os principais objetivos da reunião eram:
- Definição de maneiras de prevenção e contenção da propagação do vírus H5N1 entre as aves e humanos;
- Como notificar e diagnosticar e informar com transparência;
- Como indenizar os produtores avícolas para que os mesmos notifiquem a ocorrência de brotes com a necessária rapidez;
- Estabelecer planos para a produção e distribuição de medicamentos antivirais e vacinas para humanos;
- Como elaborar planos de contingência e divulgá-los apropriadamente a fim de evitar pânico na população.
A seguir, teve inicio a primeira sessão do dia, coordenada pelo Dr. David Nabarro, que é o Coordenador da ONU para Influenza Aviária e Influenza Humana. Na primeira parte dessa sessão, várias Organizações Governamentais como OMS, OIE e FAO, fizeram um relato das ações em andamento e apresentaram sugestões de medidas a serem implementadas para conter a epidemia entre as aves e evitar a pandemia, com destaque para as seguintes:
- Tendo em vista que as realidades são muito diferentes nos diversos países, a ONU deve ajudar na coordenação de ações de prevenção, monitoramento do vírus e arrecadação de e distribuição de contribuições técnicas e financeiras;
- Criar redes de informação a fim de otimizar a divulgação sobre a epidemiologia da enfermidade e a notificação de surtos;
- Criar grupos de trabalho para a realização de análises de risco, definir o papel das aves migratórias na difusão do vírus, compilar e divulgar tecnologias necessárias para a produção de medicamentos antivirais e vacinas e para preparar planos de contingência;
- Arrecadar recursos para a produção de medicamentos e vacinas humanas a serem distribuídos para os países em desenvolvimento.
Na seqüência, foi realizado um painel com a apresentação da situação da Influenza Aviária e estratégias de prevenção e controle, com destaque para a China, Indonésia, Vietnan, Holanda, Kenia, Japão, Laos, Camboja, Coréia, Malásia, Romênia, Tailândia, Reino Unido, Iran, Filipinas, Peru, México, Marrocos, Arábia Saudita, Brasil, Cuba, Singapura e Argentina. Pode-se perceber pela manifestação de vários países que existe um grau de desconhecimento muito grande sobre a real situação do problema nas aves, com a maioria das pessoas, principalmente aquelas ligadas a saúde humana, acreditando que o risco de uma pandemia de Influenza entre os humanos é real e imediato. O contraponto a essa opinião foi dada pela OIE que deixou claro que esse é um problema veterinário e que a maneira mais eficiente de diminuir o risco ou evitar uma pandemia é eliminando ou controlando o vírus na origem, ou seja, nas aves. Apesar disso, houve muita insistência por parte de alguns países sobre a necessidade da criação de bancos de vacinas humanas e medicamentos antivirais, para serem disponibilizados para os países que não tem tecnologia para produzi-los ou recursos para comprá-los.
No segundo dia, foram realizados painéis para discutir ações a nível regional, sendo que as principais conclusões foram:
- Do ponto de vista saúde veterinária
- Deve-se aproveitar a estrutura veterinária já existente nos países que já vem atuando na prevenção e controle de outras enfermidades, a fim de evitar a duplicidade de equipes e ações;
- As ações devem ser coordenadas e implementadas seguindo uma orientação multilateral da OIE, OMS e FAO e de organizações regionais como APEC, OIRSA e outras;
- Existem metodologias de diagnóstico e vigilância bem como vacinas aviárias disponíveis em vários países, mas deve-se incrementar a fabricação de vacinas para utilização em áreas perifocais a fim de diminuir a difusão do vírus em regiões afetadas;
- Deve-se aumentar a vigilância e a implementação de planos de contingência em área de alto risco, como aquelas que fazem parte da rota de migração de aves;
- Deve-se incrementar a comunicação do risco por parte da área veterinária com as áreas de saúde, econômica, de turismo, etc;
- Deve-se buscar apoio financeiro tanto a nível mundial como regional para ações de prevenção, controle e de indenização de produtores;
- Deve-se atacar o problema na fonte, ou seja, combater o vírus nas aves, mas tendo em mente que muitos países possuem um serviço veterinário deficiente e por isso, precisarão de ajuda de outros países e das organizações governamentais mundiais e regionais;
- Deve-se melhorar a higiene na comercialização de aves e produtos avícolas e na inspeção de abatedouros;
- Do ponto de vista de saúde humana
- Deve-se melhorar o sistema mundial de detecção, incentivando as ações regionais, a transparência e os mecanismos de coordenação;
- Devem ser criados pequenos grupos de trabalho para a elaboração de planos específicos para as diferentes regiões;
- Necessidade de intervenção rápida nas emergências;
- A OMS deve providenciar estoques mundiais de medicamentos antivirais para serem distribuídos nas regiões afetadas por uma eventual pandemia;
- Os países, através das organizações internacionais, devem compartilhar cepas para a produção de vacinas pandêmicas;
- Preparação de planos de comunicação e definição de mecanismos de coordenação levando em conta a necessidade da inclusão de migrantes e populações vulneráveis.
No terceiro dia foram realizados painéis envolvendo as instituições financeiras internacionais e regionais, como Banco Mundial, Banco do Desenvolvimento da Ásia, Banco Interamericano de Desenvolvimento e organizações internacionais como a União Européia e outras. Foram apresentados várias simulações de necessidades de recursos para financiamento para elaboração de planos de contingência, treinamento e capacitação de pessoal, adequação de laboratórios de diagnóstico, programas de monitoria, indenização de produtores, compra de medicamentos antivirais e vacinas humanas e outras ações relacionadas com a eliminação de focos nas aves e para evitar a propagação do vírus H5 N1 entre humanos.
Houve um certo consenso no sentido de que os valores apresentados eram muito pequenos e, por isso, decidiu-se que valores mais realistas serão apresentados nos próximos dias pelos doadores e pelas organizações internacionais.
Conclusões
Um informe mais detalhado poderá ser obtido através da home page da OMS (www.who.int) quando for publicado o informe da reunião, dentro de alguns dias. Quanto a reunião em si, pode-se concluir que:
- Embora com dificuldade, os países asiáticos estão tentando conter a propagação do vírus H5 N1 entre as aves a fim de diminuir o risco de propagação entre humanos;
- Existe um consenso no sentido de que as aves migratórias estão desempenhando um papel importante na difusão do vírus, o que faz aumentar a preocupação dos países da Europa e da África, que estão na rota das aves migratórias provenientes da Ásia;
- Os países americanos, principalmente da América Latina, não foram muito citados como sendo de alto risco, o que fez com que um grupo de países, liderados pelo Brasil, Chile, Peru, Venezuela e Argentina fizessem uma manifestação em nome da região chamando a atenção para esse fato e dizendo que a região também deverá ser incluída nos programas de financiamento de recursos financeiros;
- Houve uma predominância de opiniões da área de saúde humana, sobre a saúde animal. Embora a OIE e a FAO já disponham de planos de emergência para fazer frente a epidemia nas aves, isso aparentemente não foi levado muito em conta pelo pessoal ligado a saúde humana;
- Por isso, é importante que nos países latino americanos, pelo menos, seja feito um esforço grande para reverter essa situação, antes que se crie uma situação de pânico na população e que recursos sejam aplicados de uma maneira equivocada;
- Uma maneira de acelerar as ações no campo da medicina veterinária, será através de uma ação regional coordenada pelo CISA – Comitê Interamericano de Sanidade Avícola, da OIE . Para tanto, deverá ser convocada uma reunião do CISA no início de dezembro para elaborar um plano de contingência para as Américas;
- Por último, chamamos a atenção do setor de produção para a import6ancia de estar presente na conferência Pan Hemisférica de Influenza que será realizada em Brasília nos dias 30 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro, a fim de discutir uma ação conjunta do setor animal com a área de saúde humana com o objetivo principal de acelerar as ações de vigilância e capacitação de laboratórios para diagnóstico.
São Paulo, 10 de Novembro de 2005.
Ariel Antonio Mendes
Vice-Presidente Técnico Científico da UBA
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