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  Prezados Senhores,

Convidado para presidir a UBA por um grupo de empresários e entidades do setor hesitei, a princípio, mas após um check-up tranquilizador, achei que poderia e deveria trazer a minha experiência, de mais de 40 anos na área, em benefício da avicultura para, em conjunto com o governo através, principalmente do Ministério da Agricultura, tentarmos equacionar os urgentes problemas da avicultura.

De fato, na área de proteína animal, foi a avicultura o setor que mais cresceu nos últimos anos, em particular, no aumento do abate de aves de corte, fruto, em grande parte da criação integrada, introduzida pela Sadia, na Cidade de Concórdia-SC, (sistema que se expandiu por quase todo o Brasil), e na produção de ovos para consumo. A isso devemos juntar milhares de pequenos avicultores independentes que, graças à avicultura, ainda não estão contribuindo para aumentar o número de desempregados embaixo das pontes das grandes cidades, permanecendo no campo, produzindo, apesar da falta de uma política agrícola atualizada.

Toda essa evolução é fruto, em grande parte, da iniciativa privada e vinha em ascensão. Entretanto, de algum tempo para cá, o frango tornou-se emblemático para o "Plano Real", enquanto seu preço é para os avicultores e para a indústria gravoso, vil e profundamente desestimulante. Entendemos que com o frango e com os alimentos em geral, o governo, em particular os estados, levam a parte do leão em tributos. Num país como o Brasil, de gente pobre é incrível que o alimento, fonte de vida, seja cruelmente tributado. É tempo do governo e autoridades se convencerem de que esse setor já contribuiu demais para a sustentação do real. Para nós, chegou a hora do governo colaborar!

No setor avícola, as despesas crescem; o milho, a soja e demais insumos sobem. Vamos sacrificar um setor como o avícola? depois de tanto esforço e sacrifício? Setor que proporciona milhões de empregos, economicamente movimenta muitos bilhões de reais, chegando, inclusive, à participação de um e meio por cento do PIB. Pelas condições territoriais e climáticas do Brasil, poderíamos alimentar o mundo. Entretanto, para nossa tristeza, o Ministério da Agricultura que deveria ser o mais importante, vive carente de recursos e que, a nosso ver, não pode continuar.

Precisamos aparelhar, ainda mais o setor de Defesa Agropecuária, dar maiores recursos ao Serviço de Inspeção Federal que detém credibilidade internacional e que garante a confiabilidade para as donas-de-casa brasileiras e a milhões de clientes pelo mundo afora. Os laboratórios da Defesa e, prioritariamente, da Inspeção Federal, dever estar muito bem aparelhados e eficientes para inspirarem confiança aos importadores.

Nesta fase de vida, temos longa experiência e vivência de muitos governos, convivemos com muitos ministros da agricultura que, infelizmente, mudam muito no Brasil. Essas mudanças constantes prejudicam uma política agrícola adequada e fragilizam, desestimulam as carreiras do pessoal, em especial, das áreas técnicas. Nossa experiência e nossa vontade de ajudar estão à disposição da UBA e de Vossa Excelência, para juntos, trabalharmos pelo engrandecimento do setor para produzirmos alimentos baratos e de qualidade para o atendimento da população.

Estamos aqui para nos unir às demais entidades do setor de alimentos, às donas-de-casa, aos sindicatos, aos operários, etc., para lutar por uma reforma tributária que signifique menos tributação nos alimentos, aliás, no rumo do Projeto de Reforma Tributária do Poder Executivo, que se encontra em lenta tramitação no Congresso Nacional. Ainda recentemente, em Caxias, no Rio Grande do Sul, durante a Festa da Uva, o Senhor Presidente da República enfatizou a necessidade do Congresso votar a Reforma Tributária. Mãos à obra, Senhores Congressistas, o Brasil não pode mais conviver com um sistema tributário infeliz que pune a agricultura e a produção e premia a sonegação.

ZOÉ SILVEIRA d'AVILA
Presidente

 

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