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16º
Congresso de Avicultura aprova a Carta de Brasília
Ano: VII
Mês: Novembro/Dezembro-1999
Número: 50
Como resultado das discussões
no 16º Congresso Brasileiro de Avicultura, realizado de 9 a
11 de novembro, em Brasília, o setor aprovou e divulgou o
seguinte documento:
Os participantes do 16º Congresso
Brasileiro de Avicultura, promovido pela UBA e ABEF, analisando
os assuntos debatidos ao longo dos painéis, concluíram
que, para manter o setor avícola brasileiro entre os segmentos
mais competitivos nos mercados interno e externo, são fundamentais
as seguintes ações:
Sanidade Otimizar vigorosos
programas de produtividade e sanidade no campo avícola, com
estabilidade e continuidade, de modo a garantir um produto final
saudável e competitivo.
Inspeção Assegurar
a confiabilidade do produto brasileiro através da criteriosa
inspeção de abate e controles laboratoriais eficientes.
Insumos Trabalhar pelo aumento
da produção e produtividade de grãos, principalmente
milho, destinando à agricultura maior volume de recursos
e tecnologia, para o setor da avicultura ter segurança e
continuar ganhando maior competitividade internacional.
Tributação Continuar
envidando esforços no sentido de serem reduzidos de modo
substancial os tributos sobre alimentos, como condição
para a melhoria das condições de vida do trabalhador
brasileiro, atualmente com grande parte de suas necessidades básicas
insatisfeitas.
Comércio internacional
Apoiar o governo brasileiro na defesa dos interesses nacionais na
nova rodada de negociações da OMC, nos seguintes temas:
a) eliminação dos subsídios
às exportações e à produção
interna;
b) facilitação do acesso
a mercados para os países em desenvolvimento;
c) eliminação das barreiras
sanitárias.
Os participantes do 16º Congresso
Brasileiro declaram a sua convicção de que a correta
administração e controle do plantel brasileiro, a
disponibilidade de insumos em quantidade, qualidade e preços
satisfatórios, a reforma simplificada da atual legislação
tributária e, no plano externo, o fim dos subsídios
e do protecionismo exacerbado, e a facilitação do
acesso a outros mercados, serão fatores que propiciarão
à avicultura brasileira condições de desenvolvimento
interno e ampliação de sua participação
nos mercados internacionais.
Especificamente em relação
à avicultura de exportação, entendem que, eliminados
os entraves representados pelo Custo Brasil, principalmente os impostos
incidentes na cadeia produtiva, em especial a restituição
do PIS e COFINS na exportação, existe capacidade para,
em curto espaço de tempo, dobrar sua atual performance, atingindo
volumes de vendas externas próximos de 1,5 milhão
de toneladas, equivalentes hoje a US$ 2 bilhões, o que, além
de colaborar para o equilíbrio de nossa balança comercial,
geraria cerca de 60.000 novos empregos na atividade avícola
e contribuiria grandemente para minorar o quadro de desemprego no
país.
União Brasileira de Avicultura
UBA
Associação Brasileira dos Produtores
e Exportadores de Frango ABEF
Números animam FHC
O presidente Fernando Henrique Cardoso
e o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes e
outros representantes do governo, parlamentares e grande número
de avicultores, participaram da solenidade de abertura do 16º
Congresso Brasileiro de Avicultura, na noite do dia 9 de novembro,
em Brasília. O presidente declarou-se impressionado com os
números da avicultura brasileira e a eficiência com
que o setor tem se comportado nos mercados nacional e internacional.
Já o presidente da UBA, Zoé Silveira dAvila,
fez uma vigorosa defesa da reforma tributária e um balanço
dos resultados alcançados pela avicultura nacional em 1999.
Editorial
Sucesso e preocupação
A avicultura brasileira está
fechando 1999 com a superação de todos os seus recordes
históricos. Pela primeira vez deveremos ultrapassar a produção
de 5 milhões de toneladas de carne de frango. Chegamos ao
final do ano com mais de 30 milhões de matrizes alojadas
e com mais de 3 milhões de pintos de corte alojados. Ao mesmo
tempo, estamos produzindo cerca de 38 milhões e meio de caixas
de 30 dúzias de ovos.
Graças à oferta abundante
do produto, o consumo de carne de frango continua aumentando no
Brasil. Em 99, serão 26 quilos per capita. O frango brasileiro
também está cada vez mais presente no mercado internacional.
Nossas vendas externas deste ano deverão superar com folga
a marca dos 900 milhões de dólares. É, portanto,
com justo orgulho, que podemos dizer que a avicultura brasileira
vai bem.
No entanto, o constante crescimento
do nosso setor traz preocupação quanto ao abastecimento
do mercado de grãos, principalmente milho, nas quantidades
necessárias e a preços que nos permitam produzir para
o mercado interno e competir no mercado externo. Ainda agora, ao
lado das sérias deficiências de produtividade, estamos
vendo o preço do milho disparar, trazendo para a avicultura
sérios problemas de custos de produção.
O Brasil precisa destinar mais recursos
e disseminar maior variedade de tecnologias para o campo, de modo
a ampliar a produtividade e melhorar a qualidade dos grãos
que produzimos. Necessitamos urgentemente alcançar os patamares
internacionais de produtividade.
Além do provisionamento de grãos,
devemos aperfeiçoar os controles sanitários, de maneira
a manter o nosso imenso plantel com as melhores condições
de sanidade e produtividade. Esses dois fatores formam a base para
que possamos enfrentar o mercado globalizado de hoje. A credibilidade
e confiabilidade do nosso produto são fundamentais para manter
o estímulo ao consumo interno e para ampliar nossa participação
no mercado externo.
Porém, nossa atividade esbarra,
hoje, numa perversa tributação. Em muitos casos, a
carga tributária chega a alcançar 34,7% do valor pago
pelo consumidor, que sequer sabe direito quanto está realmente
pagando de tributos. Sob esse aspecto, o Brasil representa caso
único no mundo. Em matéria de impostos, países
como Inglaterra, México, Hungria e Irlanda praticam a alíquota
zero para os alimentos que consomem. Outros, como França,
Alemanha, Espanha, Portugal, e os nossos vizinhos Chile e Argentina,
praticam a isenção parcial ou a redução
de impostos. Enquanto isso, aqui no Brasil, nós pagamos em
impostos o valor de um frango para cada quatro produzidos! Essa
é a realidade de hoje.
O setor avícola, baseado em
estudos feitos pela indústria de alimentos e em pesquisas
realizadas pelo IPEA, do Ministério do Planejamento, não
tem dúvida em afirmar que com a eliminação
ou pelo menos a redução dos impostos sobre alimentos,
de modo a enquadrá-los nos níveis internacionais,
será possível aumentar em cerca de dez por cento a
renda daquele trabalhador com receita familiar de até dois
salários-mínimos.
Devemos continuar buscando a excelência
em nossa atividade, mas não temos o direito de nos omitir
em relação às grandes questões nacionais,
como a da fome. Ela passa, seguramente, pela reforma tributária.
Portanto, devemos apoiar a luta do deputado Germano Rigotto e de
sua Comissão pela rápida tramitação
dessa tão necessária simplificação que
é o desejo de todos os nossos patrícios.
Todas estas são posições
que debatemos e definimos claramente no 16º Congresso Brasileiro
de Avicultura. O sucesso do grande encontro que realizamos em Brasília
não nos autoriza senão a continuar batalhando junto
ao governo e ao Congresso Nacional na defesa firme dos interesses
do nosso setor.
Zoé Silveira dAvila
Presidente da UBA
16º Congresso Brasileiro de Avicultura
O 16º Congresso Brasileiro de
Avicultura foi prestigiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso,
os ministros da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes,
das Comunicações, Pimenta da Veiga, e das Relações
Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, além de outras altas autoridades
federais, representantes do Poder Judiciário, senadores,
deputados federais, dirigentes de estatais, executivos das áreas
de saúde agropecuária e inspeção animal,
técnicos das áreas pública e privada e grande
número de empresários e produtores avícolas.
Nestas páginas estão registradas algumas dessas importantes
presenças no dia da abertura do Congresso e nas sessões
de trabalho dos dois dias seguintes.
Brasil pode dobrar exportação
Desde a década de 70 a avicultura
brasileira vem se organizando para o mercado externo, tendo entre
1980 e 1998 elevado sua produção de carne de frango
em 240%. E a balança comercial da avicultura brasileira é
extremamente favorável, pois importa apenas 2,5% do total
que consegue carrear em divisas cambiais com suas exportações.
Foram afirmações do diretor executivo da ABEF
Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores
de Frango , Cláudio Martins, em sua palestra Globalização
Tendências do Mercado Mundial de Frangos no próximo
século. Martins abordou as perspectivas do Brasil e as negociações
da Rodada do Milênio, observando que, no plano externo, a
avicultura brasileira vem nos últimos anos ocupando lugar
de destaque no comércio internacional de carne de frango,
onde sobressaem países como os Estados Unidos, França,
China e Hong Kong.
Fazendo um balanço da atuação
do setor, disse que apesar das dificuldades enfrentadas com a crise
financeira asiática, o Brasil tem obtido sucesso considerável
no mercado internacional, mas alertou que o que foi obtido com muita
dificuldade nos últimos anos está sendo gradualmente
perdido. As causas, segundo Martins, residem na inexistência
de uma consistente política estrutural de comércio
exterior, coordenada eficazmente pelo governo federal; nos programas
de subsídios às exportações de aves
no mercado internacional, pela União Européia, mediante
as restituições equalitárias a seus empresários
e nas políticas protecionistas adotadas pela China. Ele também
apontou a perda de competitividade dos preços de exportação
brasileiros pelo alto valor de impostos agregados aos mesmos.Ele
encerrou sua palestra afirmando que, eliminados os entraves do Brasil,
principalmente dos impostos incidentes na cadeia produtiva dos produtos
de exportação, o Brasil tem capacidade para, em cinco
anos, dobrar sua performance atual, atingindo a volumes de exportação
próximos de 1,5 milhões de toneladas, gerando cerca
de 60 mil novos empregos na atividade avícola.
No mesmo painel, o embaixador José
Alfredo da Graça Lima traçou um paralelo entre a participação
tida pelo Brasil nas negociações da Rodada Uruguai,
de 1986 a 1994, e aquelas programas para novembro de 1999 em Seattle,
Estados Unidos. Concluiu que o país, desta vez, está
melhor preparado para a defesa dos seus interesses. Graça
Lima também focalizou as restrições impostas
pelos países desenvolvidos ao ingresso do frango brasileiro
em suas fronteiras. Lembrou que nas futuras negociações
no âmbito da OMC o país não terá de enfrentar
apenas os Estados Unidos e a União Européia, mas também
outros países fortemente protecionistas como o Japão
e a Coréia do Sul. Para ele, serão negociações
extremamente difíceis, mas que poderão, se bem-sucedidas,
resultar em mudanças importantes nas relações
de comércio mundiais.
Por sua vez, o advogado Bernard OConnor,
que assessora o setor exportador avícola, assinalou a participação
mais ativa do empresariado brasileiro em negociações
internacionais, ajudando o governo a defender os interesses do país
no mercado mundial. Destacou o trabalho realizado pelos vários
setores da economia, especialmente os do agribusiness, tendo em
vista as próximas negociações da Rodada do
Milênio.
Agência executiva vai devagar
O 16º Congresso debateu a criação
da Agência Executiva, a autarquia que vai cuidar dos aspectos
de certificação de conformidade, qualidade e produtividade
nas áreas vegetal e animal. O primeiro palestrante foi o
dr. Luiz Carlos de Oliveira, secretário de Defesa Agropecuária,
o qual informou que o processo de implementação da
Agência Executiva não foi interrompido, embora se desenvolva
muito lentamente, devido aos cortes orçamentários
sofridos desde o início de 1999. "Não é
que a Agência esteja parada. Ela está sendo reordenada
dentro da condição financeira do Ministério
e da estrutura disponível", disse. Ele destacou a criação
da Escola Nacional de Defesa Agropecuária, que não
terá base física e atuará no sistema de ensino
a distância. Luiz Carlos Oliveira previu que a Agência
estará totalmente implantada funcionando dentro de cinco
anos.
O dr. Hamilton Farias, diretor da Secretaria
de Defesa Agropecuária, analisou a estrutura e as finalidades
do órgão. Tratou do Plano Nacional de Sanidade Avícola
e das parcerias que estão sendo desenvolvidas com a iniciativa
privada. Informou que desde 1996 todos os episódios relacionados
com a Doença de Newcastle jamais tiveram relação
direta com avicultura de corte ou postura. Farias considerou impossível
desenvolver qualquer trabalho na área de sanidade avícola
sem ser em parceria com a iniciativa privada. Por sua vez, o dr.
Jorge Camardelli, diretor do DIPOA, falou sobre a necessidade de
auto-sustentação financeira da futura Agência
Executiva como autarquia e referiu-se às constantes trocas
de ministros na pasta da agricultura e aos diferentes processos
de gerenciamento como fatores que., até agora, vêm
retardando a implementação da Agência Executiva.
Troféu Mérito Avícola
Durante o 16º Congresso a diretoria
da UBA homenageou três personalidades com o Troféu
Mérito Avícola Nacional Lauriston von Schimidt, por
se destacarem nos campos empresarial, político e técnico.Valayr
Hélio Vosiack é Diretor Presidente da Recrusul, Diretor
Superintendente da Refrima e Presidente do Conselho de Administração
da Refrisa. O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcus
Vinicius Pratini de Moraes, economista, foi ministro da Indústria
e do Comércio de 1970 a 1974, ministro das Minas e Energia
em 1992 e ocupou vários outros cargos. Gilberto Silber Schmidt,
zootecnista e professor, é graduado em agronomia e mestre
pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz",
da Universidade de São Paulo.
Qualidade e competitividade
Ovo, frango, industrializados e outras
aves foram temas focalizados em palestras no 16º Congresso,
tendo sido debatidas importantes questões relacionadas à
qualidade e competitividade da avicultura na virada do século.
Fumio Saito, diretor da UBA e da Granja Saito, lembrou que o ovo
é, de longe, o alimento mais completo que a natureza oferece.
Apresentou dados relativos à produção mundial
de ovos, que nos últimos dez anos cresceu cerca de 54%.
Segundo o empresário, hoje,
a tendência não é mais o consumo in natura,
mas de ovo pasteurizado e ovo em pó. O setor está
trabalhando para aumentar a produção e o consumo internos
e a participação do Brasil no mercado internacional,
tanto do ovo em casca quanto dos produtos industrializados de ovos.
Para atingir esses objetivos, Saito considerou importantes uma tributação
adequada, a oferta satisfatória de insumos (milho) pelo mercado
interno.
Ele garantiu que há condições
favoráveis para o Brasil se tornar, na próxima década,
um dos principais exportadores de ovos-produtos, ovos pasteurizados
e ovos em pó.
A palestra sobre frango foi de Marisilda
Guerra, da Perdigão, que destacou a média de crescimento
da produção brasileira de frango na década
de 90: 10% ao ano, passando de 2,3 milhões de toneladas para
5,6 milhões de toneladas. O consumo per capita, que era de
13,4 quilos anuais no início da década de 90, este
ano está chegando a 30,0 quilos anuais per capita. O crescimento
se deveu principalmente à contínua redução
do preço do produto, de US$ 1,5) em 1990 para US$ 0,50 hoje.
Quanto às perspectivas da produção
brasileira de frango para a virada do século, Marisilda Guerra
enfatizou a necessidade de uma política de fomento à
produção de grãos. A palestra de Geraldo Cia,
da Sadia, versou sobre industrializados. Ele comentou pesquisa feita
junto aos consumidores brasileiros, que apontaram a carne de frango
como a mais saudável e a de melhor sabor. Segundo Cia, a
industrialização da carne de frango é um segmento
competitivo da agroindústria, com grande potencial de crescimento.
Também despertou grande interesse
a palestra de Celso da Costa Carrer, presidente da ACAB Associação
dos Criadores de Avestruz do Brasil. Ele mostrou que o avestruz
já foi o quarto maior item de exportação da
África do Sul, no final do século passado e no início
deste, numa época em que as plumas dessa ave eram muito valorizadas.
A estrulticultura entrou em recessão, mas ressurgiu nos anos
1960 e, nas últimas duas décadas, retomou vigorosamente
o crescimento, já agora em todo o mundo, e não mais
baseada no valor das plumas apenas, mas da carne e do couro. O Brasil
ainda é o maior importador de plumas do mundo.
O rebanho brasileiro é de 10
mil cabeças e ainda não existe um mercado de abate.
Lampreia elogia setor avícola
A avicultura brasileira é, sem
dúvida, uma das grandes locomotivas da economia do Brasil
e uma das melhores apostas que se pode fazer quando se pensa numa
participação mais representativa e expressiva no comércio
internacional. Foi o que afirmou o ministro das Relações
Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, na sua intervenção
ao início do segundo dia de trabalho do 16º Congresso
Brasileiro de Avicultura. Abordando questões relacionadas
ao tema "Mercado internacional no milênio", Lampreia
observou que a avicultura é um dos setores que mais sofrem
com as restrições e penalizações decorrentes
do protecionismo. Fez um resumo dos antecedentes históricos
que conduziram ao atual quadro do mercado internacional e falou
das perspectivas de negociação em termos multilaterais.
O ministro ressalvou que um passo importante
foi a inclusão da agricultura nas regras do comércio
multilateral. Graças a isso ele disse , havendo
ou não Rodada do Milênio, permanece o compromisso que
terá de ser cumprido, embora não haja uma data fixa
para que se termine o trabalho de aprofundamento da liberalização.
Apesar disso, Lampreia admitiu sua preocupação quanto
à ausência de avanços significativos nas discussões
preparatórias do Encontro de Seattle.
Na palestra seguinte, a Gerente Especial
da APEX e ex-ministra Dorothéa Werneck discorreu sobre o
esforço do governo para apoiar as exportações
e, principalmente, estimular as empresas que ainda não exportam
a buscar o comércio externo. Ela mostrou a evolução
das exportações na década, comparando os percentuais
com o forte crescimento das importações, que praticamente
triplicaram no mesmo período.
Dorothéa Werneck analisou a
perfil das empresas exportadoras (83% têm interesse em exportar)
e informou que as de grande porte são responsáveis
por 57,8% do total exportado. A participação das micro
e pequenas empresas não ultrapassa 1,7%. Qualificando o Programa
Especial de Exportações como uma forma inovadora de
organização gerencial do comércio exterior,
a palestrante enumerou uma série de ações que
vêm sendo promovidas pela Apex para estimular as exportações.
Detalhou, ainda, alguns projetos que estão sendo tocados
em parceria com as empresas privadas e afirmou que existe um terreno
fértil para se aumentar a atuação empresarial
no mercado internacional.
O professor Marcos Sawaya Jank, da
Universidade de São Paulo, referiu-se ao caráter superavitário
do agribusiness brasileiro no campo das exportações.
Com foco nas negociações da Rodada do Milênio,
informou quais poderiam ser as principais posições
defendidas em Seattle pelos países em desenvolvimento. Jank
analisou detalhadamente as razões de alguns países
ou blocos para a prática do protecionismo agrícola,
caso dos Estados Unidos e da União Européia. No caso
da França, revelou que apenas 20% dos agricultores franceses
são beneficiados pela política de subsidiar as exportações.
O tema reforma tributária agita os
debates
O painel sobre reforma tributária,
na tarde do dia 10, foi o mais concorrido de todo o Congresso, refletindo
a profunda preocupação do setor avícola com
a questão. "Estamos chegando a um momento de insubordinação
fiscal, até por parte de quem paga tributo. A partir de agora,
em qualquer remendo que fizermos, os governos ganham com uma mão
e perdem com a outra. Vão crescer a sonegação,
a informalidade e a elisão fiscal", afirmou o deputado
Germano Rigotto, presidente da Comisão Especial de Reforma
Tributária da Câmara. O parlamentar disse não
ter dúvidas de que a carga tributária sobre o alimento,
hoje, é absurda para a indústria que produz o alimento,
para a agricultura e para a sociedade. "Se olharmos a média
mundial de tributação sobre o alimento, vamos ver
que não passa de 8%. Em muitos países, o alimento
não é nem mesmo tributado. Já aqui no Brasil,
se tomamos como exemplo um alimento industrializado, a carga de
impostos chega a 35%. Não podemos persistir nessa situação."
Ele acrescentou que não deve
ser desonerada apenas a cesta básica, mas todos os alimentos.
E indagou: qual o país que tem os tributos cumulativos que
tem o Brasil, como Cofins, PIS e a própria CPMF? Podemos
discordar de pontos do relatório Musa Demes e negociar modificações.
Elas são possíveis. Mas o que não pode acontecer
é o retardamento da reforma tributária.
Falando em seguida, o deputado Aloísio
Mercadante, presidente da Comissão de Economia da Câmara,
observou que todas as vezes que a Comissão de Reforma Tributária
parece estar concluindo o seu trabalho, surge um novo projeto do
governo. E alertou: "As ilhas de resistência não
são pequenas. Não basta a comissão votar, nem
a Câmara votar. A proposta tem que passar no Senado e depois
ainda haverá toda uma legislação complementar
a ser votada. Tenho dúvidas de que isso seja possível,
mesmo no próximo ano."
Disse ainda que a redução
da carga tributária sobre os alimentos é estratégica,
pois representa um aumento real de salários, uma maneira
inteligente de combater a fome.
Em nome do presidente da República,
o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, garantiu
que o governo Fernando Henrique Cardoso está absolutamente
decidido a apoiar a reforma tributária. No entanto, defendeu
a necessidade "de se encontrar alguma forma de arrecadação
transitória ou a aplicação da reforma por etapas,
para que não surjam problemas, quem sabe, insuperáveis
para a administração pública."
Pratini destaca parceria com a avicultura
No primeiro dia dos trabalhos do 16º
Congresso, coube ao ministro Pratini de Moraes, na manhã
do dia 10, realizar longa explanação sobre o programa
de trabalho do Ministério da Agricultura e Abastecimento
face ao novo milênio. Ele abordou os diversos desafios colocados
pela internacionalização do agronegócio, que
segundo disse "conformaram um novo cenário para as relações
comerciais dos países atuantes no plano internacional, com
amplos impactos sobre as atividades do agronegócio desses
países".
Apoiado em números e gráficos,
discorreu sobre as medidas adotadas por seu ministério para
a inserção ativa da defesa agropecuária brasileira
no cenário internacional. Citou como exemplo "saudável
e produtivo" de parceria estratégica o trabalho desenvolvido
com o setor avícola e suas entidades de classe. Enumerou
ainda uma série de questões que devem ser atacadas
pela sua pasta na implementação de um plano de modernização
das atividades nas áreas de defesa agropecuária e
promoção do agronegócio. Entre elas estão
a manutenção e melhoria da situação
sanitária dos rebanhos e plantéis, tendo como diretriz
o estabelecimento de áreas livres e áreas controladas;
a adoção de critérios científicos consistentes
para a aplicação das medidas sanitárias e fitossanitárias
em suas atividades de controle; e a redução do Custo
Brasil pela racionalização dos processos e atividades
da defesa agropecuária.
O ministro tratou ainda das negociações
sobre a Rodada do Milênio, como subsídios às
exportações, acesso a mercados, tarifas de comércio,
cotas tarifárias, salvaguardas especiais, créditos
à exportação etc. Finalmente, afirmou que a
agricultura precisa contar com diferentes alternativas de financiamento,
e que uma delas pode ser a internacionalização da
Bolsa Mercantil e de Futuros, como forma de se autofinanciar. Segundo
o ministro, é necessário investir, também no
seguro rural, cuja garantia seja a própria safra. Salientou
igualmente a necessidade de se investir na qualidade dos produtos
brasileiros, tanto de ordem animal, quanto fitossanitária,
com vistas a enfrentar a concorrência.
Participaram do debate com o ministro
o deputado Dilceu Sperafico, presidente da Comissão de Agricultura
da Câmara, Antônio Ernesto de Salvo, presidente da Confederação
Nacional da Agricultura e Biamar Nunes de Lima, superintendente
executivo do Banco do Brasil para a área rural e agroindustrial.
O ministro respondeu a perguntas dos participantes.
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